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O que aconteceria se não sentíssemos dor?

  • Sidrak Alberto Dala Sidrak Alberto Dala
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  • Publicado terça-feira, 1 de setembro de 2020

Imagina, por exemplo, uma pessoa sem analgésico nenhum (consciente) deitada numa cama de hospital enquanto observa o médico a amputar uma de suas pernas. Este quadro é assustador.

Quando lemos nas escrituras (bíblia) a sentença que Deus fez a mulher por ocasião da Desobediência (“multiplicarei grandemente a dor da tua gestação, em dores darás à luz filhos… Génesis 3:16”). Somos levados a pensar que o texto sugere que se o homem (Adão e Eva) não pecasse, a mulher daria à luz filhos com dores, mas não MUITA DOR. Dito de outra forma, a dor da gestação e a dor sentida aquando do parto que Eva sentiu na concepção de Caim, não é posterior ao pecado, embora diga-se de passagem que a intensidade fosse o fardo do pecado.

Ora, se for verdade que a dor em si não é fruto do pecado e que tudo que Deus criou “era MUITO BOM” (Génesis 1:31), então pode-se concluir que a dor física não é em si mesmo um mal. Bom, se for um mal, então Deus é o autor do mal (já que a dor é anterior ao pecado). Desta forma, não faz sentido atribuir a paternidade do mal ao Diabo. Afinal, o Diabo é apenas um cúmplice de Deus que ficou com a culpa, enquanto o autor moral do “crime” anda aí a solta sem contas com a “justiça”. Mas o que aconteceria se não sentissemos dor? Haveria alguma repercussão negativa na nossa vida? Provavelmente, a resposta de quem passa pelo “vale da sombra das dores terríveis” seria:

■ O mundo teria sido melhor sem dores.

Agora, qual é a evidência que temos que o mundo teria sido melhor se não existisse dor? O que aconteceria se o sistema de alarme de uma empresa próspera ficasse desativada por uma semana? Quais seriam as chances de possíveis assaltos se os marginais se apercebessem do facto? Existe no mundo umas poucas pessoas que apresentam uma patologia rara denominada “insensibilidade congénita à dor por anidrose”. Pessoas com esta patologia não sentem dor nenhuma (Philip Yancey, A Dádiva da Dor, 2005). O medo de nos ferirmos faz-nos avalir a situação para não nos machucarmos em riscos desnecessários. O medo de punição (castigo) desencoraja-nos, em alguns casos, a permanecermos no mesmo comportamento ou a adoptar um comportamento punível.

Infelizmente, quem é insensível a dor não aprende com punições físicas, já que não sente a dor que diminuiria a probabilidade da ocorrência da resposta. A pessoa em causa pode colocar os pés na água fervida a 100 graus e não sentir dor. Se enquanto estiver a cortar carne na cozinha e por descuido cortar o seu próprio dedo, não sentirá dor. Calcula-se que as pessoas portadoras desta patologia vivem até 20 anos (Ravi Zacharias, A Morte da Razão, 2011).

Você pode imaginar o que aconteceria se não existisse dor? Você já se perguntou por que razão a bíblia compara a lepra com o pecado? Há uma razão para isto. A parte afectada pela lepra é, igualmente, insensível à dor. À luz disto fica clara a sentença de Deus a mulher:

“MULTIPLICAREI GRANDEMENTE a dor da tua gestação; em dor darás à luz filhos […]” (Génesis 3:16).



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