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SIC deteve cidadão que fazia greve de fome no 1º de Maio para protestar contra violência policial

SIC
  • Francisco Inacio
  • Publicado domingo, 21 de junho de 2020

Três agentes do SIC (Serviço de Investigação Criminal) e da polícia agrediram um jovem manifestante ontem, quinta-feira 18, no Largo do 1º de Maio, em Luanda.

O cidadão que responde pelo nome Alcibíades Elavoko Kopumi afirma ter sido brutalmente agredido por agentes do SIC devido à greve de fome que realiza desde o dia 15 de Junho no Largo 1º de Maio, o manifestante grevista solidariza-se com as vítimas mortais protagonizadas pelas forças policiais.

Largo 1º de Maio em Luanda

Alcibíades Elavoko Kopumi diz estar preocupado com a situação actual, o manifestante protesta as matanças de cidadãos indefesos protagonizadas pela Polícia Nacional desde o começo do estado de emergência até o actual estado de calamidade.

Segundo Alcibíades Elavoko Kopumi, que falava a nossa entrevista na na manhã de hoje quinta feira dia 18, disse que as forças da ordem não têm cumprido com zelo o seu trabalho, por se constatar vários atropelos aos direitos dos cidadãos causando mortes vítimas dos disparos da Polícia Nacional.

Falando aos nossos microfones, Kopumi sublinhou que todos os procedimentos foram cumprido conforme a lei orienta.

Questionado sobre a sua acção protestadora, o grevista socorreu-se da lei nº 47 da Constituição da República de Angola, que dá direito de reunião e manifestação a qualquer cidadão.

O cidadão Alcibíades Elavoko Kopumi está em greve de fome desde o dia 15 de Junho, no Largo 1º de Mai,o para protestar a favor dos cidadãos angolanos vítimas das balas dos agentes da polícia.

No seu manifesto, documento que tivemos acesso, o grevistas sustenta o seguinte: A defesa da vida humana passa também pelo repúdio, sem reservas das declarações insidiosas do senhor Ministro do Interior Eugênio César Laborinho, infelizmente até agora ainda Ministro do mesmo órgão, proferiu palavras que incentivam a desordem na corporação no dia 03 de Abril, durante uma conferência de imprensa transmitida em directo Pela TPA Televisão Pública de Angola e RNA rádio Nacional de Angola que dizia: A Polícia Nacional não vai distribuir rebuçados nem chocolates.

Eugênio Labourinho, ministro do interior.

Segundo Kopumi, aquelas decorações foram incitação à violência gratuita e uma vibrante exaltação da criminalidade policial, de tal sorte que logo no dia seguinte, caía um adolescente no município do Cazenga vítima de um tiro por um agente afecto a Polícia Nacional.

“Depois seguiu outra morte em Benguela, além da Lunda Norte, só para  citar estes. Mas, o cúmulo da impunidade, o infeliz declarante continua de pedra em cal no seu posto ministerial”, lê-se no documento.

Sobre a confusão instalada no local na qual ele foi vítima de agressão física,  o protestante reivindicou também do estado de abandono a que o Largo 1º de Maio está voltado.

Segundo Kopumi, não é normal que num  largo histórico onde o  primeiro Presidente da nação angolana proclamou a independência esteja inseguro desta forma a ponto de serem roubadas placas do sistema de irrigação daquele espaço.

Alcibíades Elavoko Kopumi

“Não é possível numa grande cadeia de câmeras de vigilância e não se conseguir identificar os protagonistas do roubo”, diz Kopumi. Mais adiante, pediu às autoridades governamentais para dar mais atenção e cuidado especial aquele espaço de história do nacionalismo angolano.

Questionado sobre a resposta das autoridades governamentais em relação a greve de fome, o manifestante respondeu dizendo que “vai insistentemente pressionar o governo e o Presidente da República João Manuel Gonçalves Lourenço para mandar parar essas matanças e para que ouça o nosso clamor e chamar a atenção da sociedade civil para a ncessidade de consciencialização dos seus direitos consagrados na Constituição da República de Angola”.

Texto: Sérgio Gaspar (estagiário)



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