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Banco BPC luta para sobreviver enquanto pensionistas reclamam dificuldades de receber salários

BPC
  • Francisco Inacio
  • Publicado domingo, 7 de junho de 2020

Desde o desvio de 400 milhões de kwanzas no BPC que os trabalhadores reformados viram agravar a dificuldade de receberem as prestações sociais (salários) a que têm direito, atempadamente. Mergulhado numa enorme crise de gestão, o banco público prevê despedir 1.600 trabalhadores e encerrar 60 agências.

Inácio Luanda, pensionista de 65 anos, diz estar agastado com as constantes idas e voltas ao BPC na tentiva de fazer um levantamento de numerário, coisa que raramente consegue no periodo de pagamento. “As filas são enormes e a desorganização do banco é demais” desabafou.

Desde Março que Patrício Paim, 73 anos, também tem tido de fazer movimentação financeira com a sua conta domiciliada no BPC. “Nem um extrato das movimentações conseguem dar” reclamou. “Em Abril consegui receber apenas uma parte do meu dinheiro, mas de lá para cá dizem que não há dinheiro”.

Devido às constantes faltas de dinheiro no caixa, muitos clientes do BPC associam esse facto ao desvio de 400 milhões de kwanzas que foi manchete na imprensa nos últimos dias. Facto que levou mesmo o Banco Nacional de Angola (BNA) a realizar um inquérito para apurar as falhas no sistema de segurança e o incumprimento dos protocolos bancários.

A 17 de Abril passado, houve um roubo interno de mais de 400 milhões de kwanzas nas contas do BPC. Segundo o site maka Angola, semanas depois do golpe de 400 milhões de kwanzas, o BPC ainda não tinha comunicado ao supervisor, o Banco Nacional de Angola, quando devia tê-lo feito de imediato.

Uma fonte bem posicionada no BPC contactado pelo Farol de Angola garantiu que os 400 milhões é de uma conta de empresa privada e não se trata de dinheiro do Estado. “Os atrasos nos pagamentos aos pensionistas tem a ver com o INSS, muitas vezes é motivada por falta de realização periodica da prova de vida ou a não atualização da conta” disse.

1.600 funcionários serão despedidos

Entretanto, o conselho de administração deste banco público desdobra-se em sucessivos planos de reestruturação. Informações tornadas públicas dão conta de que uma das medidas desses planos de reestruturação é a redução significativa da estrutura de custos.

Dezenas de agências serão encerradas nos próximos tempos e prevê a redução de pessoal em mais de um terço. Dos atuais 4.820 trabalhadores cerca de 1,600 serão despedidos nos próximos dois anos.

O presidente de Conselho de Administração do BPC, António André Lopes, disse, nesta quinta-feira, em conferência de imprensa, que o plano prevê igualmente o encerramento de 60 agências bancárias, de modo a tornar a estrutura comercial mais sustentável de acordo com o seu papel.

Para o efeito, o banco tem preparado um valor de mais 18 mil milhões de kwanzas para indemnização dos funcionários, de acordo com a Lei Geral de Trabalho, acrescido de um prémio.



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