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Autoridades angolanas investigam denúncia de corrupção na TAAG

  • Francisco Inacio
  • Publicado sexta-feira, 22 de maio de 2020

Empresas detidas por pessoas influentes estão a usar os voos humanitários para trasnporte de equipamentos de combate ao covid19 para importar ilegalmente mercadorias para fins comerciais

Inspetores do Estado angolano estão a realizar um inquérito aos mais altos funcionários da TAAG, empresa aérea angolana, para apurar os factos sobre denúncias de que algumas “entidades” terão se aproveitado ilegalmente dos voos humanitários de transporte de equipamento de luta contra o coronavírus para importar camufladamente mercadoria para fins comerciais.

De acordo com o Decreto Presidencial que declara o Estado de Emergência, todos os voos de carácter comerciais e de transporte de passageiros estão proibidos até o levantamento do Estado de Emergêcia, com excepção dos voos de caracter humanitário que transportam equipamento snitário para o combate do covid19 e de angolanos que se encontram nos países fortemente afectados pela pandemia. Fora isso, a proibição é extensiva a todos.

Entretanto, denúncias públicas feitas na semana passada indicam que algumas empresas detidas por pessoas influentes estão a aproveitar os voos humanitários (inicialmente realizados pela Etipia Airline) para importarem mercadorias comerciais, sem pagar impostos ou direitos alfandegários, visando apenas a obtenção de lucro fácil e aproveitando-se da situação de carência que se verifica no mercado por causa da pandemia.

Entretanto, depois da denúncia se tornar um facto mediático, no fim-de-semana passado, a TAAG substituiu repentinamente o serviço de transporte que estava a ser realizado pela Etiopia Airline, passando a ser o transportador exclusivo do material de combate ao covid19.

Afinal, o que se passou?  

Para apurar os factos, a nossa equipa de reportagem contactou por via telefónica o porta-voz da TAAG, Carlos Vicente. Questionado sobre a denúncia de corrupção e os motivos por trás da escolha inicial da Etiopia Airline para transporte do material de combate ao coronavirus, em detrimento da empresa estatal (TAAG), Carlos Vicente informou que essa foi uma decisão do Executivo. De seguida, pediu-nos para solicitar esclarecimentos ao ministério dos transportes.

Nossa equipa de reportagem contactou o Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do ministério dos transportes (Mintrans) que, por sua vez, reencaminhou-nos à TAAG, visto ser a empresa que o Executivo delegou a responsabilidade pelo serviço de transporte.

“Se a TAAG achou que não tinha capacidade técnica e sob contratou uma empresa privada, deve ser a TAAG a prestar esclarecimento sobre o que se passou e não o ministério dos transportes.” disse a fonte do Mintrans.

Mas adiante, a fonte confirmou que está a ser realizado um inquérito para se apurar a veracidade da denúncia sobre o aproveitamento ilegal dos voos humanitários para o transporte de mercadorias comerciais.

Tentamos insistir a obtenção de melhores esclarecimentos da TAAG, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas do porta-voz da referida empresa. O mesmo sucedeu com os contactos feitos para ouvir a Inspecção Geral do Estado.



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