Inicio » Covid-19 » As Lições do Coronavírus

As Lições do Coronavírus

  • Farol Angola
  • Publicado terça-feira, 24 de novembro de 2020

Mal começava o ano de 2020, vinham sobretudo da China notícias de um vírus mortífero. Que mata mesmo, sem piedade nem dó. Nem por isso tem irmãos por cá. À sua velocidade, implacável e avassaladoramente, foi avançando, país a país. Eram fronteiras que se encerravam na van tentativa de se impedir a sua fúria letal. Eram negócios que se encerravam. Os números de infectados somavam-se as centenas, aos milhares. As mortes, que rapidamente ocorriam, as centenas e aos milhares, eram a prova de que, o mundo estava diante de uma verdadeira pandemia à chinesa, era o corona vírus.

Nações poderosas que antes monosprezaram, se renderam ao vírus, mudando as ordens das suas agendas. Era preciso e urgente fazer constar o vírus das mesmas. E esse recado foi dado pelo próprio que não admite intermediários. Na terra de Shakespear tomou um chá com o Premiê. Na terra do Samba, abraçou o presidente! Na terra do Tio Sam dialogou com o presidente?  E assim foi acontencendo, até atingir os quatro cantos do globo terrestre.

O covid não deixou ninguém de parte e alastra-se implacavelmente por toda África e pelo mundo

Alguns por aqui, diziam: esta doença não nos atinge. Mas hoje, ela mora bem aqui. Infectou milhres e vai tirando a vida a muitos cidadãos adultos, jovens e crianças, homens e mulheres. Até agora ainda não tem remédio que a cura. Precisamos respeitar as medidas de bio-segurança.  As máscaras que só viamos na face dos chineses e vietnamitas, agora também se tornaram num assessório indispensável entre nós. Até o PR e a sua dama usam. E nós aqui? Cuidado aí no Palanca e na Rua da Dira!

O corona, tirou a banga a muitos mwatas que por tudo e por nada, as consultas  eram feitas fora do país. Até mesmo para uma simples extração dentária era necessário pegar o avião. Eram absurdos de doer o fígado. A mulher do chefe fazia as consultas de pré-natal em Lisboa. A revisão oftalmológica era em Espanha. A revisão da próstata também era lá. Enquanto isso, o Zé Povinho, que acredita num amanhã melhor, morre de paludismo, o seu filho de má nutrição severa e a sua mulher de tuberculose. Até os nossos generais que se bateram de armas na mão por esta Angola, também viajam  para se tratarem nos hospitais alheios, dos outros.  É que?  É dinheiro que têm com fartura? Quando quem governa não utiliza os equipamentos sociais que cria e recorre aos de outros estados, é porque não sabe o que é governar, muito menos como fazê-lo. Quando um dirigente não se sente confortável em ser tratado pelos médicos que formou e nos hospitais que construiu, está simplesmente a demonstrar falta de confiança no que anda a fazer.

Na carona do corona embarcamos todos,  mwatas e catraios. Agora ninguém sai para ir se tratar na Estranja. A coisa é séria! Mwata agora, é só mesmo o corona que, interna e mata sem piedade nem dó. Os nossos antigos mwatas, com vergonha, não conseguem anunciar que estão infectados ou internados, como se o cargo mudasse o grau da infecção ou consequência da doença. É a tal de, em defesa do bom nome, protecção da imagem e direito a privacidade. Seria muito bom se isso afastasse o corona.  

Lá para onde têm levado os dinheiros que daqui surripiam, comprado sumptuosas mansões e branquedo os dentes para limpar azeite da muamba, não resolve o problema. O dinheiro de Angola deve em primeira e última instância servir aos angolanos e aqui.

Aprendam a investir em turismo no país. Andem por esta Angola que, tem paisagens maravilhosas. As praias de Benguela, Namibe e Luanda. Os nossos  parques nacionais como os da Quiçama, Yona, Cangandala, Bicuar e outros, clamam por estrturas de apoio ao turismo. Criem mais fábricas. Criem empregos para os jovens e dar fôlegoa nossa moribunda economia. Já não faz sentido importar guardanapos de papel, por muito bonitos que sejam. Invistam na saúde. Vamos tratar dos nossos olhos, da próstata, da tuberculose, da má nutrição das crianças, aqui na nossa terra. Não precisamos abrir hospitais nos nossos quintais, com medo de  que, se formos ao hospitais públicos seremos mortos, ou porque eles não têm a qualidade dos serviços de que necessitamos.  Isso é uma piada! Mas afinal quem governou e governa Angola desde 1975?  Quem não aprende com amor aprende com a dor. Agora compreendemos e, fica tudo mais claro que, a (des)governação era uma acção com vista a exterminar o pobre mas nobre povo. É urgente investirmos massissamente na educação e na saúde do nosso país. É interessante ver a dinâmica e velocidade na criação de hospitais para o tratamento de casos da Covid-19[LG1]  mas, por favor olhem também a para a malária, tuberculose, hipertensão arterial, diabetes, oncocercose, tripanossomíase e tantas outras doenças que, se bem tratadas podemos levar uma vida mais longa, com qualidade e melhor contribuirmos economicamente com os nossos esforços para o crescimento e  desenvolvimento da nossa Angola.

Viajar é bom mas, oferecer dinheiro ao outro quando o seu filho passa fome, no mínimo é loucura. Este povo sofre de todos os outros males, menos de catarata. Por isso, vê todas as vossas piruetas. Quem não aprende com amor aprende com a dor. Vamos investir massissamente na educação e saúde de qualidade no nosso país.

O corona não é somente uma doença com todos os seus efeitos nefastos mas, também traz-nos lições de sabedoria. Ensina-nos a respeitarmos com rigor determinadas regras se quisermos sobreviver. Ai de quem ousar desreipeitá-las! Os astronautas estão em prontidão.

Mas então, o que aprendestes ilustres senhores governantes, durante estas quatro décadas e meia nas escolas do Catambor, Moscovo, Belgrado, Havana, Berlim e Sófia? Terá o Kilamba delirado ao dizer que: o mais importante é resolver os problemas do povo?

Queremos ver um general do Congo Democrático vir aqui fazer consulta médica, um ministro cubano internar-se nos nossos hopitais. Queremos ver os namibianos mandarem os seus filhos virem estudar nas nossas escolas. Afinal o que andamos a fazer nestes quarenta e cino anos de dipanda?  Agora, silêncio por favor. Vamos ouvir o Doutor Fanco Mufinda.

 Texto: Ricardo Kiá Budíca.


 [LG1]



Deixe o seu comentário!